O SEGA 32X é um add-on lançado para o Mega Drive que é mal visto por muitos fãs na internet devido à sua biblioteca pequena e seu fracasso comercial, além de muitos jogos abaixo do esperado. Apesar disso, ele tem alguns jogos que são bem bacanas e que vale dar uma olhada. O mais famoso deve ser o Knuckles Chaotix, mas ele seria muito óbvio, então vamos ver outros 5 jogos do 32X que valem à pena jogar?

Space Harrier

Este é outro clássico dos Arcades criado por Yu Suzuki, também criador de OutRun, Virtua Fighter, Virtua Cop, entre outros arcades de sucesso. A versão para 32X é uma excelente conversão do arcade, quase perfeita, exceto pelo fato de rodar a 30 quadros por segundo e não 60, como em After Burner. O jogo também tem direito ao grito “SEGA!” tradicional dos jogos do Sonic, e uma excelente jogabilidade. A única critica que eu faria é que o jogo não ocupa toda a tela. Algo curioso são uns efeitos sonoros que ouvi, idênticos aos que já havia ouvido em Dr. Robotnik’s Mean Bean Machine para Mega Drive. Quem será que pegou os efeitos sonoros emprestados de quem?

Shadow Squadron

Este é um jogo de combate entre aeronaves no espaço. O jogo tem gráficos poligonais, que apesar de simples e sem texturas, são bem feitos. Podemos ver também replays com diferentes ângulos de câmera, o que mostra um esforço da equipe em explorar o 32X. O jogo conta com um radar que facilita bastante as coisas, além de uma jogabilidade totalmente em 3D. É possível escolher entre duas naves: uma que faz o jogo parecer com um rail shooter, e outra onde você tem uma movimentação mais livre para navegar pelo cenário. A trilha sonora é excelente e o destruir as naves pelo espaço é bem divertido.

Tempo

Este é um jogo bem diferente também e mais um exclusivo do 32X, sendo um dos poucos que exploram bem o potencial do periférico. O jogo é de plataforma e conta até com uma música cantada na abertura, o que é impressionante, apesar da música ser meio piegas, mas mesmo assim bacana. O jogo tem gráficos de desenho animado, abertura bem feita e um excelente uso das cores, com fundos bem variados, coloridos e cheios de efeitos. As músicas também são bem legais. O personagem principal se chama Tempo. Ele é uma espécie de mosca e super carismático. Além disso, a temática do jogo é musical, o que justifica o título (o título se refere a tempo musical e não a tempo cronológico). O personagem chuta, pula, plana, corre e atira notas musicais que deixam os inimigos atordoados. Algo impressionante é que Tempo, quando está parado, fica te olhando e virando o rosto para frente de acordo com a batida da música de casa fase! Ele também faz uma pequena dança depois de cada chefe.

Cada fase é apresentada como uma performance e cada uma tem o seu próprio estilo. Os chefes são poligonais e com efeitos de zoom, apesar de serem um pouco estranhos, pixelados e bastante previsíveis. Entre os efeitos sonoros, há um exatamente igual a um efeito utilizado no jogo online iSketch. Além disso, há um especial de invencibilidade temporária, onde o fundo da fase muda e começa uma bizarrice das grandes: começamos a ver vacas pelo cenário ao som de Yodelling!

No entanto, o jogo também tem seus defeitos: ele é um pouco difícil e às vezes é colorido até demais, apesar do uso das cores ser impressionante. As fases são grandes e às vezes você se perde um pouco também. Além disso, Tempo também anda meio devagar e corre meio rápido demais, até chocando-se com as paredes. O campo de visão também é um pouco limitado por conta dos sprites grandes, o que talvez seja a culpa de parte da dificuldade do jogo. O fato de você pular e planar no mesmo botão às vezes atrapalha um pouco na jogabilidade também. O jogo é muito bem apresentado, mas um pouco superficial.

Enfim, o jogo não inova em nada como jogo de plataforma em si. Seria mentira dizer que não gostei dele, mas o jogo poderia ter ficado melhor e se tornado algo realmente especial. Ele tem os seus defeitos, mas acho que vale à pena dar uma conferida nele. Se ele fosse lançado nos tempos de hoje, teria tudo pra ser um jogo indie. Apesar de exclusivo do 32X, ele também ganhou versões para Game Gear (Tempo Jr.) e para Sega Saturn (Super Tempo), mas que são jogos totalmente diferentes, apesar de estrelados pelo mesmo personagem.

Virtua Fighter

Virtua Fighter

Mais um clássico de Yu Suzuki ganha uma versão para o 32X. Este é um dos poucos jogos que mostram o que ele era capaz de fazer, além de mostrar que ele poderia ter tido mais jogos bons se a SEGA japonesa tivesse dado um pouco mais de atenção a ele, o que nunca aconteceu, não só pelo fato de ele que foi criado pela SEGA americana como porque o Saturn fez um sucesso enorme no Japão.

O jogo explora muitíssimo bem as capacidades do periférico, tem uma jogabilidade impecável e é uma ótima conversão, sendo considerada até melhor do que a primeira versão para o Saturn, além de não ter loadings. No entanto, apesar de gostar deste jogo, não acho que ele seja melhor que o Virtua Fighter Remix, segunda versão do primeiro Virtua Fighter para o Saturn, além de que nenhum dos dois são conversões perfeitas do Arcade, o qual a SEGA tem força no Japão, junto de máquinas pachinko e outros jogos de cassino. Mas o jogo não faz feio: tem replays em vários ângulos de câmera, boa conversão das músicas e ausência de loadings. O jogo é bastante técnico, sem magias, e possui uma grande variedade de golpes e combos, embora a maioria das pessoas provavelmente memorize apenas alguns para cada personagem. Contamos com quatro modos de jogos e oito personagens. Apesar de não ser um número expressivo de personagens, cada um deles é surpreendentemente diferente um do outro, ao contrário do que vemos em muitos jogos, onde muitos personagens têm diversas habilidades em comum. O jogo não é lá muito fácil e também não é o tipo de jogo em que você vence só apertando botões ou carregando seus poderes especiais: é luta de verdade mesmo!

O jogo com certeza está datado para os dias de hoje, mas continua sendo divertido e era revolucionário na época. Os gráficos, apesar de impressionantes para a época, hoje em dia parecem quadradíssimos. Também era assim nos arcades, mas nem por isso é exatamente bonito, apesar da excelente movimentação dos personagens. No entanto, isso nem de longe estraga o jogo. Muito pelo contrário! O game também tem boas vozes, mas não chega a ser nada impressionante. O grande problema do jogo, para mim, é que ele não conta com um modo de treino para você praticar os golpes e combos. Sendo assim, para aprendê-los, só olhando listas de golpes na internet mesmo, o que é um pouco chato, considerando a complexidade dos movimentos, que são responsivos, mas difíceis de serem executados em alguns casos (não por jogabilidade ruim, mas por complexidade mesmo). Outra coisa estranha do jogo – e que permaneceu em jogos seguintes da franquia – são os pulos “sem gravidade”: altíssimos e lentos, fazendo parecer que você está na lua.

Apesar de ter os seus defeitos, o jogo é considerado por muitos como o melhor do 32X e é legal ver onde tudo começou. No entanto, ele perde um pouco do seu charme e longevidade após algum tempo. Apesar do hardware do 32X exigir que esta versão fosse seriamente inferior visualmente, o jogo continua impressionante considerando as limitações de hardware. De fato, apesar dos gráficos inferiores, a versão para o 32X é considerada a favorita de muitos fãs da série comparada a outras versões caseiras, por ter tido a jogabilidade mais consistente e suave entre as versões caseiras, além de alguns extras que não existem em nenhum outro lugar. O jogo também se destaca por ser um dos poucos jogos que realmente tiraram vantagem total do hardware e que não parece apenas mais uma versão melhorada de um jogo de Mega Drive, como muitos jogos do 32X foram considerados. Por razões que eu desconheço, a SEGA trouxe este jogo em formato de cartucho. Considerando o relativo desinteresse pelo periférico por parte da SEGA japonesa, juntamente com a fama ruim que o periférico estava recebendo, é de se imaginar por que ela foi se incomodar de desenvolver esta versão.

Virtua Racing Deluxe

Uau! Os jogos do Yu Suzuki foram bem representados no 32X, não? Virtua Racing Deluxe é uma excelente conversão do jogo para Arcade, que era revolucionário para a época. O jogo explora muitíssimo bem o 32X, tem ótimos gráficos poligonais (datados, mas bem legais), possuiu uma ótima jogabilidade, boa conversão das músicas e roda suavemente. Também temos replays com vários ângulos de câmera diferentes, além de quatro ângulos de câmera diferentes para a própria corrida, que podem ser trocados a qualquer momento, sendo que em um deles temos direito até a ver as mãos quadradonas do motorista ao volante.

Esta versão também ficou bem melhor que a versão para Mega Drive – que usa aquele chip chamado SVP – em gráficos, jogabilidade e até em sons, que foram bem melhorados aqui, com direito a vozes melhores, um barulho diferente do motor quando se está dentro de um túnel e músicas cantadas de Game Over e linha de chegada! As músicas também são ótimas, mas infelizmente apenas nos checkpoints, apesar de eu considerar isso como um charme particular da franquia. O jogo também conta com um modo para dois jogadores, onde vemos mais construção de cenário, mas que não atrapalha e continua mantendo a suavidade na taxa de quadros por segundo do jogo. Além de não ter loadings, esta versão traz, além das três pistas do Arcade, mais duas pistas exclusivas, além de mais dois tipos de veículo, o que provavelmente seja o motivo do “Deluxe” no título do jogo. Outra coisa interessante é que o próprio jogo faz propaganda do próprio 32X dentro de algumas pistas.

No entanto, os gráficos não ocupam a tela toda, com barras pretas horizontais, mas ainda assim ocupa mais a tela que a versão do Mega Drive. A jogabilidade é totalmente 3D e o jogo é um pouco difícil também, pelo menos para mim, até porque a jogabilidade é um pouco difícil de dominar, a princípio. Apesar disso, ele é divertido e minha versão favorita de Virtua Racing.